Variáveis de Projeto
   

Para um desempenho adequado e seguro de uma junta de expansão, é imprescindível entender que trata-se de um produto altamente especializado e que requer cuidados especiais no seu projeto, instalação e operação. Na maioria das aplicações de juntas de expansão, antes de determinar-se qual o tipo, materiais e outros componentes, é necessária uma análise cuidadosa do sistema. A seguir, estão listadas as principais variáveis que devem ser consideradas no projeto de uma Junta de Expansão.

1. Dimensões

O diâmetro da tubulação ou as dimensões de dutos e o comprimento total da junta influem no seu projeto, limitando a sua pressão de trabalho e a capacidade de absorver determinados movimentos.

2. Tipo de fluido

Os produtos em contato com a junta de expansão devem ser analisados. Alguns produtos podem causar erosão ou corrosão do material da junta. Se a tubulação for lavada periodicamente, o fluido de lavagem também deve ser especificado.

3. Pressão

A pressão é uma das variáveis mais importantes no projeto de uma junta de expansão. As pressões máxima, mínima e de teste devem ser consideradas. Se existir a possibilidade de transientes de pressão, as suas conseqüências devem ser avaliadas.

 

 

4. Temperatura

A temperatura de operação afeta a pressão máxima, tensões admissíveis, vida útil e especificação do tipo de material. A correta definição da temperatura é importante pois valores muito elevados podem requerer materiais especiais ou, se muito baixos, podem provocar a falha prematura da junta.

5. Movimentos

A determinação dos movimentos a serem absorvidos é imprescindível para a especificação correta de uma junta de expansão. Devem ser verificados, além dos movimentos de origem térmica, os de outras fontes, tais como, vibrações e desalinhamentos. Os movimentos absorvidos por uma junta de expansão podem ser:

Axial de Compressão
Axial de extensão
Lateral
 
Deflexão angular
Torção
o movimento de torção provoca elevadas tensões na junta de expansão e deve ser evitado. Juntas de expansão submetidas a esforços de torção devem ser projetadas especificamente para esta finalidade.

 

6. Forças

As estruturas, ancoragens e suportes das tubulações, dutos e equipamentos onde estão instaladas juntas de expansão devem suportar, além das forças normais em sistemas deste tipo, duas forças adicionais originadas pelas juntas de expansão:

6.1. Força de mola

É a força necessária para defletir uma junta de expansão. Os foles de uma junta de expansão se comportam como se fossem uma mola, as ancoragens devem ser projetadas para resistir a esta força. A amplitude da força de mola (figura 6) é determinada multiplicando-se o valor da constante de mola pelo movimento absorvido. As constantes de mola são axial, lateral e angular. Por exemplo, se uma junta para tubulação de diâmetro nominal 10 polegadas tiver uma constante de mola axial de 13 kgf/mm e absorver um movimento axial de compressão de 25 mm, podemos calcular a força de mola:

Fm = movimento x constante de mola
Fm = 25 x 13 = 325 kgf

 

6.2. Força de pressão

A força de pressão é uma condição criada pela instalação de um elemento flexível, a junta de expansão, em uma tubulação rígida pressurizada. É uma função da pressão do sistema, do diâmetro do fole e da altura da corrugação. A Figura 7 (abaixo) mostra o efeito da pressão em um fole: pressões positivas tendem a estender o fole e negativas a comprimir. A amplitude da força de pressão pode ser muito elevada, superando todas as demais forças combinadas. Calcula-se a amplitude da força de pressão multiplicando-se a área efetiva do fole pela pressão do sistema. A área efetiva é uma função do diâmetro médio do fole que é determinada pela altura da corrugação. O diâmetro médio é, normalmente, maior que o diâmetro da tubulação.

Por exemplo, usando a mesma junta do exemplo anterior, e cuja área efetiva é de 590cm2, para uma pressão de 10 Kgf/cm2 (150 psi), podemos calcular a força de pressão:

Fp = área efetiva x pressão
Fp = 590 x 10 = 5900 kgf

Instabilidade de Coluna e Instabilidade de Plano

Um fole que seja submetido à pressão interna assemelha-se a uma coluna submetida à um esforço de compressão; isto é, existe um valor máximo de compressão que, se superado, fará com que a coluna apresente uma flambagem. De forma análoga, existe um limite de pressão interna do fluido que uma vez atingido e/ou ultrapassado gera uma instabilidade no fole. Esta instabilidade caracteriza-se pela tendência do fole assumir uma forma de “S”. Chama-se de “Instabilidade de Coluna” ou flambagem. A tendência à “Instabilidade de Coluna” é inversamente proporcional a quantidade de corrugações que existem em uma junta.

Existe uma outra causa de instabilidade, por excesso de pressão interna nos foles, chamada de “Instabilidade de Plano”. Caracteriza-se pela alteração de paralelismo entre as laterais de duas ou mais corrugações consecutivas.

Normalmente a “Instabilidade de Plano” ocorre em pressões superiores à da “Instabilidade de Coluna”.

Deve-se assegurar que os valores de pressão de “Instabilidade de Coluna” e “Instabilidade de Plano” sejam sempre superiores às pressões de projeto e de teste da junta.

7. Ancoragens, suportes e guias

Ao projetar um sistema com juntas de expansão é necessário considerar a melhor localização dos elementos de suporte da tubulação. Definem-se estes elementos da seguinte forma:

7.1. Ancoragem Principal

Uma ancoragem principal deve ser projetada de forma a resistir às forças e momentos de cada ramo da tubulação a ela ancorado. Havendo juntas de expansão no sistema, esta ancoragem deve resistir às forças de pressão e de mola, forças oriundas do movimento do fluido na tubulação (força de inércia), esforços provocados pelo atrito nas guias e suportes e peso da tubulação. Emcertas situações também devem ser considerados outros esforços como, por exemplo, carga de vento.

Em um sistema com juntas de expansão a ancoragem principal pode ser instalada conforme apresentado nos exemplos a seguir:

• quando houver duas juntas de expansão de diferentes diâmetros, na mesma linha.
• em uma curva.
• em uma derivação.
 
• em uma válvula de fechamento ou de redução de pressão, quando instalada
entre duas juntas de expansão.
• em um flange cego.
 

7.2. Ancoragem intermediária

A ancoragem intermediária é projetada para resistir a todos os esforços, exceto a força de pressão de cada ramo da tubulação a ela ancorada. A força de pressão é absorvida pela ancoragem principal ou por acessórios próprios da junta de expansão, tais como tirantes, dobradiças, anéis cardânicos, etc.

7.3. Guias e suportes

O correto alinhamento de uma tubulação nas proximidades de uma junta de expansão, é de extrema importância para o seu perfeito funcionamento. As guias e suportes são necessários para assegurar que a junta de expansão execute o movimento previsto e evitar a flambagem da tubulação.

a flambagem é causada pela flexibilidade da junta de expansão e pela força de pressão que fazem a tubulação comportar-se como uma coluna carregada.

7.4. Tipos de guias

7.4.1. Unidirecional

Permite o movimento em uma só direção, conforme
mostrado na Figura:

7.4.2. Bidirecional

Permite o movimento em um plano (duas direções),
conforme mostrado na Figura

7.5. Localização das guias

Ao posicionar guias para aplicações com movimento exclusivamente axial é, normalmente, recomendado que a junta de expansão seja instalada próxima de uma ancoragem. A primeira guia deve estar a uma distância máxima do fole de até 4 vezes o diâmetro da tubulação, a segunda guia a uma distância da primeira guia de até 14 vezes o diâmetro da tubulação, conforme mostrado na Figura

O espaçamento máximo (E) das demais guias está indicado na Tabela abaixo.

7.6. Suportes

Um suporte de tubulação permite o livre movimento da mesma suportando o peso da tubulação e seus acessórios, tais como válvulas e isolamento térmico, bem como o peso do fluido. Os suportes não substituem as guias e ancoragens. Um exemplo de suporte está demonstrado na figura 15.

8. Vida cíclica

Um ciclo é definido como um movimento completo da tubulação desde a posição inicial até a posição de operação, voltando novamente à posição inicial. A vida cíclica é definida como o número total de ciclos previstos para a junta resistir, a partir de testes realizados em temperatura ambiente e condições de operação simuladas.

A vida cíclica depende da amplitude da variação das tensões às quais o fole está submetido. Nos foles fabricados com aços inoxidáveis austeníticos, a operação de conformação provoca o encruamento do material, elevando a sua resistência à fadiga. Desta maneira, não é considerado benéfico fazer recozimento ou alívio de tensões, após a conformação do fole. Exceto quando solicitado, as Juntas de Expansão Termatic, não sofrem nenhum tratamento térmico antes, durante ou após a sua fabricação.

Tabela - Espaçamento Máximo entre Guias - E

  Espaçamento Máximo entre Guias (m)
Diâmetro Nominal
(pol.)
3 4 5 6 8 10 12 14 16 18 20 24 30 36 42 48
Pressão de
Projeto (bar)
5 9.7 13.4 16.4 17.0 21.9 27.4 29.2 30.7 34.4 28.1 40.5 46.3 51.8 59.4 67.0 70.1
10 7.0 9.7 11.2 12.5 15.8 19.5 21.3 22.2 24.4 27.4 28.9 32.9 36.6 42.7 46.6 49.4
20 5.2 6.7 7.9 8.8 11.3 13.7 15.2 16.1 17.4 19.2 20.7 23.5 16.2 30.1 33.2 31.7

EXEMPLOS DE APLICAÇÃO VARIÁVEIS DO PROJETO
INFLUÊNCIA DAS VARIÁVEIS CÁLCULO DA DILATAÇÃO TÉRMICA
ESPECIFICAÇÃO DE JUNTAS COMPONENTES DE UMA JUNTA DE EXPANSÃO

   
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